Tratamento para varizes com espuma: quando deve ser feito?

Atualizado: 19 de Abr de 2020

O uso dos esclerosantes em forma de espuma tem se popularizado nos último anos como tratamento para as varizes e vasinhos. Como qualquer tratamento, a espuma tem seus riscos e benefícios. Nesse artigo, vou explicar um pouco mais sobre o método e em que situações ele pode ser indicado.


A espuma de polidocanol é uma alternativa ao tratamento das varizes

Mas, afinal, o que é essa espuma?


O tratamento para varizes com espuma é um tipo de escleroterapia. A escleroterapia é um tratamento em que injetamos uma substância no interior da veia para induzir o seu fechamento, inutilizando-a.


Em 2001, um médico italiano chamado Lorenzo Tessari descreveu uma técnica em que os líquidos esclerosantes eram misturados ao ar através de duas seringas conectadas por uma torneirinha, formando uma espuma. O objetivo do Dr. Tessari era produzir um esclerosante que fosse mais eficaz, tratando as varizes de forma simples, barata e sem cirurgia. O estudo do Dr Tessari pode ser lido em detalhes aqui.


A espuma pode ser feita com dois tipos de esclerosantes: o tetradecil sulfato de sódio (Sotradecol®) e o polidocanol. O mais utilizado no Brasil é o polidocanol.


Em que casos o tratamento com espuma deve ser realizado?


A aplicação de espuma na veia safena e varizes maiores deve ser realizada com ajuda do ultrassom

O tratamento com espuma de polidocanol está indicado principalmente para as varizes e veias reticulares. Ela pode ser aplicada inclusive na veia safena, que é a principal veia superficial da perna.  A veia fica inutilizada, funcionando como se a tivéssemos retirado em um procedimento cirúrgico. A aplicação na veia safena, nas veias perfurantes e nas varizes maiores deve ser realizado com a ajuda de um aparelho de ultrassom, para identificar exatamente onde está a veia a ser tratada e injetar a espuma bem dentro dela.

Já para as veias menores, como as veias reticulares e as telangiectasias (vasinhos), a aplicação pode ser feita diretamente a olho nu, ou com ajuda de um aparelho de fleboscopia, que utiliza luz LED para deixar as veias mais evidentes, ou ainda com auxílio da realidade aumentada, que consegue mostrar veias até 1 cm abaixo da pele.


Benefícios e riscos da espuma para o tratamento das varizes


Você deve estar pensando: Nossa, que maravilha! Isso é o fim da cirurgia para varizes! Para que operar se você pode apenas injetar uma espuma no interior da veia e está tudo resolvido!?


Porém, como todo tratamento, a espuma tem seus problemas.


A grande vantagem desse procedimento é justamente evitar uma cirurgia. Ele pode ser realizado no próprio consultório do médico Cirurgião Vascular, e não requer os cuidados que uma cirurgia de varizes necessita.


Porém, a efetividade do tratamento para varizes com espuma não é tão boa quanto à cirurgia, seja a cirurgia tradicional ou os métodos mais recentes como laser e radiofrequência. (Se quiser saber mais sobre as alternativas de tratamento para varizes leia: "Como tratar varizes nas pernas?" , "Cirurgia para varizes: saiba como é feita passo-a-passo" e "Laser para varizes e vasinhos funciona?")


Um estudo realizado com 500 pacientes na Dinamarca, publicado em 2011 no British Journal of Surgery (leia aqui) mostrou que, após 1 ano, o refluxo da veia safena voltou em 16,3% dos pacientes tratados com espuma. Esse resultado foi significantemente pior do que o da cirurgia de termoablação de safena com laser e com radiofrequência, em que a taxa de insucesso foi de 5,8 e 4,8% respectivamente.


O tratamento de varizes com espuma pode ser feito em varizes menores e vasinhos

Já um estudo mais recente, publicado em 2018, mostrou um resultado ainda pior da escleroterapia com espuma de polidocanol em veia safena a longo prazo. O estudo contou com 196 pacientes, os quais foram sorteados para a realização de cirurgia convencional, cirurgia a laser ou a escleroterapia com espuma, e posteriormente acompanhados anualmente com exame de ultrassom doppler. Após um ano, a taxa de sucesso da cirurgia convencional foi de 100%, da cirurgia a laser foi de 98% (sem diferença estatística entre elas) e da espuma foi de apenas 71,1%. Após 5 anos, todas as taxas de sucesso caíram, ou seja, o problema voltou a aparecer, porém a queda foi mais acentuada no grupo tratado com espuma, chegando a uma taxa de sucesso de apenas 50,4%. Leia o estudo com mais detalhes clicando aqui.


Traduzindo em outras palavras, o tratamento de veia safena com espuma tem um desempenho pior do que a cirurgia convencional ou a laser, especialmente com o passar do tempo.


Além disso, o tratamento das varizes com espuma pode levar a complicações como trombose venosa profunda, embolia pulmonar, flebites, manchas escuras na pele e feridas.


As complicações mais graves, relacionadas a trombose são muito raras, menores do que 1%. Já a hiperpigmentação (manchas escuras) é bem mais comum, causando um incomodo estético ao paciente, em até 30% dos casos. Falei mais sobre este assunto no post "Manchas após tratamento de vasinhos e varizes: por que ocorrem e como tratar".


É possível tratar os vasinhos com espuma?


A espuma também pode ser utilizada para tratamentos estéticos, como na escleroterapia das veias reticulares e telangiectasias, os famosos "vasinhos".


Nesses casos, a concentração do medicamento esclerosante é menor, o que diminui a chance de surgimento de manchas escuras, necrose e feridas na pele. A concentração geralmente utilizadas nos casos estéticos é a 0,5%. Um estudo publicado em 2010 demostrou que esta concentração e segura e efetiva (leia aqui).


A efetividade desse método é semelhante às outras técnicas de escleroterapia. Para saber mais sobre as alternativas de tratamento para os vasinhos, clique em "Vasinhos nas pernas: como acabar com eles!".


Conclusão: o tratamento com espuma para varizes é uma boa opção, mas precisa ser bem indicada. Converse com seu médico Cirurgião Vascular sobre essa opção de tratamento.


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Dra Juliana Puggina Cirurgia Vascular São Paulo Varizes

Sobre a autora

Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e do American College of Phlebology. Atende em São Paulo/SP.


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