Como tratar varizes nas pernas?

Atualizado: Abr 19



Se você tem varizes, não fique triste: você não está sozinho! Estima-se que cerca de 20% das pessoas têm este problema... ou seja, provavelmente 40 milhões de brasileiros e brasileiras estão com as pernas cheias de veias dilatadas e tortuosas.

As causas desse problema são muitas e já publicamos um post chamado Por que eu tenho varizes?. Se quiser saber mais sobre isso, dá uma olhadinha aqui.

Para cuidar desse problema, existem algumas formas: algumas envolvem cirurgia e outras não!

As informações deste artigo foram baseadas no último consenso da Sociedade Americana de Cirurgia Vascular (SVS - Society for Vascular Surgery) publicado em 2011 (se quiser ler o artigo original, clique aqui).


Como escolher o melhor tratamento para varizes nas pernas?


Em primeiro lugar, é preciso escolher um médico Cirurgião Vascular, que é o profissional habilitado para tratar as varizes e outros problemas da circulação


Na consulta com o Cirurgião Vascular, deve ser realizado primeiramente o exame físico. Em outras palavras, é imprescindível que o médico examine as suas pernas descobertas, tanto em pé quanto deitado, para saber se você tem varizes e qual é o grau que a doença se encontra.


Após a consulta, o médico provavelmente irá solicitar um Ultrassom doppler venoso ou Duplex scan dos membros inferiores. Esse exame é um ultrassom, semelhante aquele realizado para gestantes, só que é feito nas pernas com o objetivo de ver se as suas veias estão funcionando normalmente ou não.


Juntando os dados do exame físico, do ultrassom doppler e da sua saúde em geral (por exemplo, se você tem alguma doença ou limitação), o médico vai te indicar quais as melhores alternativas de tratamento para o seu caso.


Quem tem somente telangiectasias ou vasinhos (falei sobre esse assunto neste post), não precisa de cirurgia. O tratamento é realizado com escleroterapia ou laser ou ambos, como na técnica ClaCs .


Quem tem veias reticulares, que são veias maiores, mas que não atingem 3 mm de espessura, podem ser tratadas com escleroterapia com espuma ou ClaCs ou microcirurgia (microflebectomia).


Quem tem veias varicosas (veias maiores que 3 mm) provavelmente vai precisar de microcirurgia, exceto se a pessoa tiver algum problema de saúde que não permita, nesse casos, podemos optar pela escleroterapia com espuma .


Cirurgia para varizes


A escolha de qual cirurgia que vai ser realizada vai depender se você tem ou não problema nas veias superficiais principais da perna: a veia safena magna (ou veia safena interna) e a veia safena parva (ou veia safena externa).



As safenas são as veias superficiais principais e todas as outras veias drenam para elas. Se elas não estão funcionando bem, não adianta retirar somente as varizes que estão aparentes porque em pouco tempo outras varizes irão aparecer.

Ou seja: quem tem incompetência ou refluxo nas veias safenas tem que fazer procedimento para retirar ou queimar essas veias principais

Esse procedimento pode ser feito de três formas: Safenectomia (cirurgia convencional), ablação com laser e ablação com radiofrequência. Vou falar mais sobre cada método abaixo.


Por outro lado, quem tem as veias safenas normais, mas mesmo assim tem varizes, não precisa retirar as safenas! Nesses casos, é feita a retirada das veias varicosas uma a uma através de pequenos cortes na pele.


Safenectomia - cirurgia tradicional para varizes


Essa é a cirurgia mais realizada e mais antiga que existe para tratar as veias safenas que têm incompetência ou refluxo. 

Ela normalmente é feita sob anestesia raquidiana (a famosa Raqui) ou sob anestesia geral. Normalmente são feitos dois cortes pequenos: um na virilha (bem na dobra da coxa) e outro perto do ossinho do pé (maléolo).


Através desses dois cortinhos, o médico acha a veia safena e passa por ela um aparelho que chama-se fleboextrator. Esse aparelho é puxado e retira toda a veia.

Depois da cirurgia, o paciente tem que ficar com a perna enfaixada e em repouso com os membros elevados no primeiro dia. Após a alta do hospital, deve usar meias elásticas e fazer repouso de acordo com a orientação do médico Cirurgião Vascular. Normalmente, o paciente consegue retornar ao trabalho em torno de 15 a 30 dias após a cirurgia.

Falei com mais detalhes sobre a cirurgia de retirada da safena neste post aqui.


Laser e Radiofrequência para varizes


Esses dois métodos são mais recentes e os estudos mostram que têm a mesma eficácia da cirurgia tradicional descrita acima, com a vantagem de causarem menos dor no pós-operatório e de precisarem de menos tempo de repouso após o procedimento. São métodos que podem ser realizados com anestesia local e não necessitam de internação hospitalar.

Porém, como tudo na vida tem um preço, a desvantagem é que esses métodos são mais caros do que a safenectomia e por isso estão menos disponíveis nos hospitais públicos e nos convênios pelo Brasil afora.


Tanto a ablação com Laser quanto a com Radiofrequência são muito parecidas. A diferença está no aparelho que irá queimar a safena.


Isso mesmo: nesse procedimento a veia safena não é retirada e sim queimada! Por isso é chamado de termoablação endovenosa (nome bonito para dizer que você vai queimar a veia por dentro com alguma coisa que gera calor)


Após a anestesia, é feita uma punção da veia safena com uma agulha grossa e através dessa agulha será passado um cateter que vai transmitir a luz do laser ou as ondas da radiofrequência, sendo assim, não há cortes grandes na pele. O médico vai acompanhando a veia sendo queimada por este cateter através de um aparelho de ultrassom.


Após o procedimento, a perna é enfaixada ou é colocada um meia de compressão. É recomendado que o paciente retorne ao consultório do médico entre 1 a 3 dias para realizar um novo ultrassom doppler para ver se a safena foi queimada de forma adequada e se não ocorreu trombose das veias profundas (TVP).


E quando a pessoa não pode operar, o que dá pra fazer?


Se a pessoa tem varizes nas pernas e não pode operar devido a algum outro problema sério de saúde ou então não quer operar há duas alternativas principais: tratamento clínico com meia elástica e remédios e escleroterapia com espuma.


A escleroterapia com espuma é uma injeção de um remédio na veia safena ou nas outras varizes superficiais, que é realizada, geralmente, guiada pelo aparelho de ultrassom. Esse remédio vai irritar a parede da veia e causar uma inflamação. Após esta inflamação, a veia vai cicatrizar e perder a sua luz, sendo assim não irá mais passar sangue por ela.

O remédio mais comumente utilizado para fazer a espuma é o polidocanol. Já falamos sobre ele no post sobre tratamento de vasinhos.


As desvantagens desse método são que ele pode não ser tão efetivo quanto a cirurgia e pode causar manchas na pele (falei sobre manchas após escleroterapia neste post aqui). 


Em último caso, o médico pode escolher não fazer nenhum procedimento e prescrever apenas o uso da meia elástica e medicamentos para diminuir os sintomas de inchaço e dores nas pernas. Essa prática só é recomendada se a pessoas não pode operar devido a algum problema de saúde, pois nem os medicamentos e nem a meia elástica são capazes de evitar que a doença progrida para complicações como flebites, tromboses, dermatite ocre e úlcera varicosa.


Resumo


Se as safenas estão doentes, elas devem ser tratadas, senão as varizes voltam a piorar.

Existem 2 formas de melhorar o problema das safenas: retirando a veia toda (através da safenectomia) ou queimando a veia por dentro com laser ou radiofrequência. Os dois métodos são igualmente bons e tem suas vantagens e desvantagens, as quais devem ser discutidas com seu Cirurgião Vascular.


Se as safenas estão normais, mas existem alguma varizes, o tratamento pode ser realizado com escleroterapia com espuma ou ClaCs ou microcirurgia (microflebectomia). A escolha entre os métodos vai depender do diâmetro das veias e sua profundidade, como também da preferência do paciente e do seu Cirurgião Vascular.


Se você não pode ou não quer operar ainda dá para fechar a veia safena e as veias colaterais através da injeção de espuma de polidocanol


Espero que este post tenha esclarecido as dúvidas de vocês quanto às opções de tratamento para as varizes nas pernas. Se ainda ficou alguma pulga atrás da orelha, deixe um comentário abaixo. Um abraço e até a próxima!


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Sobre a autora

Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e do American College of Phlebology. Atende em São Paulo/SP


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