Dor na relação sexual: pode ser varizes pélvicas! Saiba mais sobre esta doença

Atualizado: Abr 19

As varizes, apesar de serem mais comuns nas pernas, também podem acometer as veias da região pélvica.  Essas varizes da região pélvica podem levar a quadro de dor durante e após a relação sexual e dor na parte inferior do abdome, a chamada dor pélvica crônica. Nesse artigo, você irá conhecer melhor o que é esta doença, como é investigada e qual é o tratamento.



Síndrome da Congestão Pélvica: entenda o que é isso


As varizes pélvicas são veias dilatadas ao redor dos órgãos da pelve, como útero e ovários. A presença dessas varizes em grande quantidade leva ao aparecimento de sintomas, que caracterizam uma doença chamada Síndrome da Congestão Pélvica.


A síndrome da congestão pélvica é caracterizada pela presença de dor na região inferior do abdome, popularmente conhecida como baixo ventre. Essa dor geralmente piora antes e durante o período menstrual, levando a sensação de peso na parte baixa do abdome. Pode aparecer também após longos períodos em pé.

Geralmente, as mulheres que possuem essa doença apresentam dor durante a relação sexual, especialmente quando a penetração do pênis é mais profunda, e podem persistir com a sensação de peso pro horas após a relação. A dor após a relação sexual é inclusive uma das características mais marcantes dessa síndrome.


Outros sintomas que podem surgir são o aumento do sangramento menstrual e aparecimento de varizes na vulva, varizes na vagina, nos glúteos e nas pernas.


O refluxo nas veias da região pélvica podem, inclusive, ser causa de reaparecimento de varizes nas pernas daquelas mulheres que já realizaram cirurgia para varizes. Sendo assim, as varizes pélvicas devem sempre ser investigadas na recidiva da doença varicosa, porque podem ser a causa de seu reaparecimento em até 17% dos casos (saiba mais).


Por que as varizes pélvicas ocorrem?


As varizes pélvicas podem aparecer por dois motivos principais. O primeiro é a tendência genética, que leva ao enfraquecimento das paredes e das válvulas das veias ovarianas e das veias ilíacas internas, num processo semelhante ao que ocorre nas veias das pernas. Expliquei esse processo com detalhes no post "Por que eu tenho varizes?".


Alguns fatores podem contribuir para o aparecimento desse tipo de varizes nas pessoas que têm tendência. O principal deles é a gravidez. Quanto maior o número de vezes que a mulher ficou grávida, maior a pressão que o útero e o bebê exerceram sobre as veias das pelve, o que, associado com as mudanças hormonais, favorece o aparecimento de varizes na vulva, varizes na vagina e varizes nas pernas.  No post "Varizes na gravidez: saiba como prevenir este problema!" expliquei como podemos minimizar o aparecimento de varizes durante a gestação. Essa sobrecarga das veias pélvicas geralmente causa insuficiência das veias ovarianas, particularmente da veia ovariana esquerda, o que ocasiona o surgimento das varizes ao redor do útero, ovários e bexiga.


Síndrome Nutcracker

O segundo, e mais raro, motivo para o aparecimento das varizes pélvicas é a compressão ou obstrução venosa. Duas síndromes principais estão associadas com a síndrome de congestão pélvica. A Síndrome Nutcracker (ou do "quebra-nozes") é uma situação em que a veia renal esquerda é comprimida pela artéria mesentérica superior, a qual passa por cima dela. Como podemos ver na figura abaixo, a veia ovariana esquerda termina justamente na veia renal esquerda. Sendo assim, quando a passagem de sangue está obstruída na veia renal esquerda, o sangue fica acumulado nesta veia e nas veias ovariana e pélvicas, o que leva a congestão e aumento dessas veias. Os portadores dessa síndrome, além dos sintomas relacionados com a congestão das veias pélvicas, apresentam ainda dores nos flancos e perda de sangue na urina (hematúria).


A compressão da veia ilíaca esquerda pela artéria ilíaca direita é a causa das Síndromes de May-Thurner e Cockett

A Síndrome de Cockett e a síndrome de May-Thurner são outras doenças relacionadas com o aparecimento de varizes da região pélvica. Nessas síndromes ocorre a compressão da veia ilíaca comum esquerda pela artéria ilíaca comum direita, contra a coluna vertebral (veja a figura ao lado para entender melhor). Essa compressão ocorre em todas as pessoas em algum grau, porém, em determinados indivíduos, esta compressão chega ao ponto de ocluir a veia e causar trombose. Geralmente, os portadores dessa síndrome, além de varizes pélvicas, apresentam varizes, inchaço e episódios de trombose na perna esquerda.


Quando a compressão da veia ilíaca esquerda ocorre de forma isolada temos a Síndrome de May-Thurner. Já quando essa compressão está presente e acaba causando um quadro de trombose associado, trata-se da Síndrome de Cockett.


Toda pessoa que possui varizes exclusivamente no membro inferior esquerdo deve ser obrigatoriamente investigada para a síndrome de Cockett. As varizes pélvicas nessa síndrome ocorrem pela sobrecarga de sangue nas veias ilíacas devido à obstrução.

Esse sangue acumulado procura outros caminhos para chegar de volta ao coração, passando pela veias pélvicas e atingindo a veia ilíaca do lado direito, assim seguindo seu caminho.


Além dessas duas síndromes, a obstrução das veias ilíacas e veia cava inferior por um quadro de trombose venosa profunda também podem levar ao aparecimento de varizes pélvicas. Para saber mais sobre a trombose venosa profunda acesse o post "Trombose venosa profunda: saiba como prevenir e tratar este problema".


Como saber se eu tenho varizes pélvicas?


Suspeitamos de varizes pélvicas quando há presença de dor pélvica crônica, dor durante e após a relação sexual, presença de varizes em vulva, varizes na vagina e varizes na região glútea e ainda nas pessoas que já realizaram cirurgia de varizes e as varizes voltaram a aparecer em grande quantidade. 


O primeiro exame a ser realizado para confirmar o diagnóstico é o ultra-som transvaginal. Essa é a melhor forma de avaliar os órgãos pélvicos e verificar a presença de veias anormais. Nesse exame também pode se lançar mão do doppler, que é capaz de enxergar o fluxo de sangue nas veias e saber se estas estão insuficientes. 


Após o diagnóstico do problema, geralmente é solicitado um exame mais detalhado para que o tratamento possa ser planejado. Este exame pode ser uma angiotomografia ou uma angioressonância nuclear magnética. Pode ser ainda realizada uma flebografia, que apesar de ser considerada como o melhor exame, é evitada por se tratar de um procedimento invasivo. 


Tratamento das varizes pélvicas


Quando é feito o diagnóstico desse problema, precisamos identificar a causa das varizes para indicar o melhor tratamento.

Sala de hemodinâmica, onde são realizadas cirurgias endovasculares

Muitos tratamentos para as varizes pélvicas já foram descritos. Geralmente, o tratamento é iniciado com hormônios como a progesterora. Esse hormônio leva a diminuição da ovulação e da vascularização dos órgãos da pelve, diminuindo consequentemente a quantidade de sangue dentro das veias pélvicas.


Porém, nem sempre o tratamento com medicamentos é efetivo. Quando os sintomas permanecem, é necessário pensar em uma alternativa cirúrgica.


A cirurgia é também uma alternativa de tratamento quando nos deparamos com as compressões venosas (como as que eu descrevi acima).


Atualmente, a cirurgia convencional, em que é realizado um corte no abdome para ter acesso à veias, é raramente utilizada. Com o início da cirurgia endovascular a partir da década de 90, os procedimentos passaram a ser realizado através de cateterismo.


A cirurgia endovascular para as varizes pélvicas geralmente é realizada através de uma punção com uma agulha grossa na veia femoral, uma veia que passa na nossa virilha ou na veia jugular, que fica no pescoço. Através dessa veia, são colocados introdutores e catéteres bem longos, que têm capacidade de chegar até a origem do problema.


Todo o procedimento é guiado por um grande aparelho de raio X ligado a uma televisão, que mostra as imagens do interior do corpo em tempo real.


Através desses catéteres, é possível realizar o fechamento das veias que não funcionam de forma adequada utilizando molas, cola biológica ou medicamento esclerosante. Esse procedimento é denominado embolização.


É possível também a abertura com balão (angioplastia) e a colocação de stents nas veias que estão comprimidas, como no caso das síndromes de May-Thuner ou Cockett e de Quebra-Nozes. O stent é uma estrutura tubular feita de aço inoxidável ou nitinol (liga metálica com níquel) que tem a função de manter a veia aberta, com fluxo de sangue normal.

Stent

Sendo assim, é possível realizar toda a cirurgia por dentro dos vasos, sem necessitar nenhum corte na pele.


Todos esses procedimentos podem ser realizados com anestesia local ou geral, dependendo do tamanho da cirurgia e preferência da equipe de cirurgiões.


Conclusão


Se você apresenta dores durante e após a relação sexual, cólicas menstruais intensas e dor em peso no abdome, especialmente no período menstrual, fique atenta: você pode ser portadora de varizes na pelve.


Se isso estiver acontecendo com você, converse com seu médico ginecologista. Ele poderá avaliar seu caso de forma adequada e solicitar os exames necessários para o diagnóstico do problema. Se forem constatadas as varizes pélvicas, você deverá ser encaminhada a um Cirurgião Vascular com experiência em cirurgia Endovascular para realizar o tratamento.


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Sobre a autora


Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e do American College of Phlebology.

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