Dor nas pernas para andar: saiba tudo sobre doença arterial periférica

Atualizado: 19 de Abr de 2020


Dor nas pernas para andar pode ser sinal de obstrução das artérias

A dor nas pernas para caminhar pode ser indício de obstrução das artérias das pernas. Geralmente, este problema acomete pessoas acima de 50 anos e acontece devido a deposição de placas de gordura e cálcio nas artérias: a temida aterosclerose. Nesse artigo vamos tratar exclusivamente desse problema.


Aterosclerose: a origem do problema


A aterosclerose é uma doença silenciosa. Ela não causa dor ou qualquer sintoma na pessoa que a possui. Somente quando a placa de gordura e cálcio aumenta muito a ponto de causar um entupimento de alguma artéria é que os sintomas começam a aparecer. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 2011, as duas principais causas de morte no mundo são relacionadas à aterosclerose: infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (derrame). Essas duas doenças juntas corresponderam a 24,3% de todas as mortes registradas no mundo em 2011 (leia mais aqui). Em outras palavras: um quarto das pessoas que morreram em 2011, morreram por causa da aterosclerose. Esse dado é muito chocante.

Já falei um pouco sobre esse tema nos artigos: 'Problemas de circulação: como saber se tenho ou não!' e 'Dor nas pernas e suas causas'.


Quando a aterosclerose acomete as artérias que irrigam as pernas, o caso não é tão grave quanto quando acomete o coração ou as as artérias do pescoço e cérebro (que podem matar) porém, pode causar incapacidade para andar e até amputação da perna.

Os fatores responsáveis pelo desenvolvimento da aterosclerose são relacionados ao nosso estilo de vida, especialmente com a má alimentação, a falta de exercícios físicos, a obesidade e o tabagismo. Além disso, doenças crônicas como o diabetes e a hipertensão arterial também contribuem para a formação de placas de gordura nas artérias quando não são tratadas de forma adequada.

O acúmulo de gordura nas suas paredes leva ao entupimento das artérias

A formação das placas de aterosclerose dentro das artérias começa com a agressão da camada de dentro do vaso sangüíneo: o endotélio. Essa agressão é causada pelas toxinas presentes no cigarro ou pela pressão sangüínea muito alta ou pela alta concentração de glicose no sangue que ocorre no paciente diabético. Quando o endotélio das artérias é agredido, fica mais fácil a entrada de partículas de gordura e de colesterol ruim (LDL). A gordura e o colesterol ficam presos na parede da artéria, levando a formação de placas de gordura. Isso ocorre no corpo todo, em todas as artérias.


Para se defender, o organismo forma camadas de fibrose e de cálcio por cima dessa gordura. Se a pessoa mantiver os fatores de risco, cada vez mais gordura se acumula e em um determinado momento, ocorre a obstrução da artéria.


Além disso, mesmo quando a placa de gordura ainda não obstruiu totalmente o vaso, pode acontecer sua ruptura, liberando um fragmento que vai viajar pela corrente sangüínea até ficar preso em algum vaso menor. Chamamos este fenômeno de ateroembolismo.


Quando uma artéria é obstruída, ela é incapaz de levar o sangue cheio de nutrientes e oxigênio para as células de uma determinada região. Sem sangue e sem nutrientes e oxigênio, as células morrem.


E é por isso que a obstrução das artérias do coração levam ao infarto, a obstrução das artérias do cérebro levam ao derrame (AVC) e a obstrução das artérias da perna levam à gangrena e amputação.


Quando essa obstrução ocorre devagar, o organismo se adapta lentamente, produzindo novos vasos que, apesar de menores, conseguem levar o sangue até as células. Isso é chamado de circulação colateral.


Obstrução das artérias das pernas e a dor para andar


Quando a aterosclerose acomete as artérias das pernas, o sangue tem dificuldade de chegar na musculatura que usamos para caminhar. Mas, como expliquei acima, aos poucos o organismo vai criando outros caminhos para o sangue atingir seu destino.


Sendo assim, existem muitas pessoas com obstrução completa da circulação arterial para uma ou até para as duas pernas que não sentem absolutamente nada. Nesses casos, a circulação colateral é suficiente para manter as células musculares vivas e funcionando de forma adequada.


Porém, algumas vezes, o sangue que chega e suficiente para manter as células vivas mas, quando há uma exigência maior, como caminhar, o sangue já não é suficiente.

Quando falta oxigênio, as células musculares utilizam um recurso chamado respiração anaeróbia para produzir a energia necessária para movimentar o músculo. Nessa modalidade do metabolismo celular, o oxigênio não é necessário, porém ocorre a produção de substâncias tóxicas como o ácido lático.

A claudicação intermitente, ou dor para caminhar, é conseqüência da obstrução das artérias das pernas

O ácido lático em contato com as terminações nervosas da musculatura gera DOR.


Sendo assim, quando a pessoa que tem obstrução arterial anda, ela sente dor. Essa dor piora se a pessoa continuar andando, até o ponto que a obriga a parar para descansar. Após alguns minutos de descanso, a dor melhora e a pessoa é capaz de voltar a andar.... até o momento que a dor retorna.<